Eu sempre senti algo dentro de mim. Sempre soube que era diferente, que eu não era igual a todo mundo. Esse pensamento pode parecer ser de um pessoa muito confiante, mas sempre foi ao contrário. Tive vergonha de mim todos os dias que me lembro na minha vida. Sempre senti desprezo por mim mesma, sempre me culpei, sempre tive muito medo de machucar alguém. Não importava o grau de importância que essa pessoa tinha na minha vida. Sempre me senti menos. Menor.
Eu não fui criada pra sentir o amor. Eu não fui criada a ter empatia comigo e amar a mim mesma. Eu tenho empatia com todos, mas justo comigo mesma, eu nunca tive. Lembro claramente de todos os momentos que passei da minha vida e de todas as noites, dias, manhãs chorando no meu quarto, sempre murmurando as mesmas coisas e perguntando a Deus o porque disso tudo acontecer comigo. Por quê eu sofria tanto sendo que sempre tive tudo materialmente que qualquer pessoa gostaria/precisava? Eu sempre tive um computador, um bom celular, livros, comida deliciosa na mesa! Então por que tanto choro, tanta dor, tanta angústia?
Depois quase 23 anos de dor, de inadequação, de pensamentos suicidas e de questionar a Deus todos os dias da minha vida o porquê de as coisas serem tão doloridas para mim, eu finalmente descobri que a culpa não é minha. Aliás, nunca nada disso foi culpa minha. Essa ansiedade, essas crises de choro, essa vontade louca de não existir e implorar pra que isso acontecesse, nada disso aconteceu por causa de mim.
Depois de muita pesquisa, muita observação, muitas perguntas, eu finalmente encontrei a resposta que eu sempre implorei em descobrir: Descobri que tenho uma mãe narcisista.
Quando eu era criança, lembro-me de estudar a imagem de Narciso nos livros de português. O homem que era apaixonado pela próprio reflexo, sua própria imagem. Nunca pensei que essa palavra me acompanharia a vida toda, mesmo eu ainda não sabendo da existência dela.
Ter uma mãe narcisista é viver na escuridão. É viver angustiado e de querer nunca ter nascido todos os dias. É ter seus parentes invalidando toda sua dor porque "mãe é mãe, e ela faz tudo por você; não seja ingrato!". Acho que a parte que mais dói é não poder desabafar com absolutamente ninguém porque as pessoas sempre jogam isso na sua cara.
Elas nunca se sentiram culpadas por amar seu pai, porque sua mãe te criou para odiá-lo, e não só seu pai, sua mãe narcisista te criou para odiar o mundo. Ela te ensinou que as pessoas não prestam, e mais ainda: que você nunca vai prestar. Que você nunca será capaz.
Ela te ensinou que amigos não são necessários e que as pessoas não gostam de você: elas gostam é dela! Aliás, isso é o que ela repete exaustivas vezes no dia: "Fulano me adora!"
Então você começa a ter fobia de gente, de ter qualquer vínculo com elas, porque você sabe que se ela descobrir que alguém gosta de você, e na verdade, gosta muito e aprecia sua companhia, ela fica louca.
Ela tem um poder de manipulação incrível, e é uma excelente comunicadora. Ela entra nas conversas, cativa as pessoas (apesar de algumas também considerá-la chata e inconveniente, mesmo não conhecendo ela de verdade, por ser muito invasiva).
Assim, ela vai conquistando as pessoas que você timidamente foi criando um vínculo, e quando já é tarde demais, você começa a odiar essa pessoa porque ela falou tão mal dessa pessoa para você, ou também pode acontecer o que eu digo que seja uma das piores situações que sempre acontece: Ela DIFAMA você para todos. Quando não fala claramente, como quando ela se sente segura para falar com sua própria família (mãe, irmãos), ela atua, e te põe como a filha ingrata para família e conhecidos, assim fazendo que cada pessoa tenha um pré-julgamento negativo sobre você, fazendo com que assim, você se torne uma pessoa extremamente ansiosa na hora de criar vínculos e conhecer pessoas no seu círculo social (se você ainda tiver a sorte, de ser social).
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